A contabilidade global vive um dos seus momentos mais transformadores. Se nas últimas décadas o foco total esteve na padronização dos números através do IFRS, hoje enfrentamos o desafio de quantificar o intangível. Eu, Reider de Freitas Starling, acompanho essa evolução e percebo que a confiança do mercado não se sustenta mais apenas em balanços patrimoniais retrospectivos, mas na capacidade da gestão em prever e comunicar riscos futuros, especialmente os relacionados à sustentabilidade.
O Advento do IFRS S1 e S2 (CPC 50)
A publicação das normas IFRS S1 (Requisitos Gerais para Divulgação de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade) e IFRS S2 (Divulgações Relacionadas ao Clima) marca o fim da era dos relatórios de sustentabilidade “voluntários” e desconexos. Para especialistas como Reider de Freitas Starling, essa convergência para um padrão global sob a guarda da IFRS Foundation traz o rigor contábil para o universo ESG.
A norma S1 exige que as empresas divulguem informações sobre todos os riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade que poderiam afetar razoavelmente os fluxos de caixa da entidade. Já a S2 foca especificamente no clima, exigindo detalhes sobre emissões de Escopo 1, 2 e 3, além da resiliência da estratégia de negócios frente a diferentes cenários climáticos.
O Papel Estratégico do CFO na Liderança ESG
Muitas organizações ainda cometem o erro de delegar a implementação das normas S1 e S2 apenas aos departamentos de sustentabilidade ou marketing. Contudo, a visão de Reider de Freitas Starling é de que o CFO deve ser o protagonista deste processo. Por quê? Porque estas informações agora fazem parte do pacote de “informações financeiras”.
O CFO possui a competência técnica para garantir que os dados de sustentabilidade possuam a mesma qualidade, rastreabilidade e auditabilidade que os dados financeiros. É responsabilidade do líder financeiro assegurar que a narrativa de sustentabilidade esteja em total consonância com os números apresentados no balanço, evitando o greenwashing e protegendo a reputação da companhia.
Materialidade Financeira vs. Materialidade de Impacto
Um dos pontos mais discutidos por Reider de Freitas Starling é o conceito de materialidade financeira adotado pelo ISSB. DiferenteDiferentemente da “dupla materialidade” comum na Europa, as normas IFRS S1 e S2 focam no que é material para o investidor e para o valor da empresa.
Isso significa que o CFO deve ser capaz de traduzir riscos físicos (como desastres naturais que afetam a cadeia de suprimentos) e riscos de transição (como novas regulações de carbono) em impactos monetários diretos. Para Reider de Freitas Starling, identificar como esses fatores alteram o custo de capital e o valuation da organização é o novo diferencial competitivo da controladoria estratégica.
Governança Corporativa e Controles Internos
A implementação dessas normas exige uma revisão profunda dos controles internos. Não se trata apenas de publicar um relatório anual, mas de integrar a sustentabilidade ao ciclo de gestão. enfatizaEnfatiza-se que os conselhos de administração precisam estar envolvidos na supervisão desses riscos.
A governança corporativa moderna exige que os processos de coleta de dados ambientais e sociais passem pelo mesmo crivo de auditoria que os processos de faturamento e despesas. Sem processos robustos, a empresa fica vulnerável a litígios e perdas de confiança por parte dos stakeholders.
Desafios de Implementação: O Escopo 3 e a Cadeia de Valor
Talvez o maior desafio técnico dentro da IFRS S2 seja a mensuração das emissões de Escopo 3. Trata-se de olhar para fora das paredes da empresa — para fornecedores e para o uso final do produto. Na visão de Reider de Freitas Starling, isso exige um nível de colaboração e transparência na cadeia de suprimentos sem precedentes.
CFOs experientes sabem que o gerenciamento de riscos na cadeia de suprimentos é vital para a continuidade dos negócios. Ao integrar o Escopo 3 ao reporte financeiro, a empresa não está apenas cumprindo uma norma, mas realizando um mapeamento profundo de sua própria sustentabilidade operacional.
Conclusão: O Legado de Transparência
O futuro da contabilidade é integrado. A separação entre “o que a empresa lucra” e “como a empresa impacta o mundo” está desaparecendo. Eu, Reider de Freitas Starling, acredito que os executivos que abraçarem o rigor técnico do IFRS S1 e S2 estarão na vanguarda do mercado de capitais.
A transparência não é apenas um custo de conformidade; é um investimento em credibilidade. O legado de um líder financeiro moderno é medido pela sua capacidade de construir organizações resilientes, éticas e transparentes, capazes de gerar valor não apenas para hoje, mas para as próximas gerações.
